Selva de buiquíni
Um relato do repórter que foi a Manaus conhecer o maior e mais exótico torneio de futebol do mundo: 900 times, cada um com uma rainha mais gostosa!
Texto Jonathan Franklin Fotos Morten Andersen
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As candidatas na abertura do desfile |
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Nesta foto, o respeitável “background” amazonense |
Minha missão em Manaus é simples. Vou assistir ao torneio de futebol mais exótico – e erótico – do mundo, que acontece todo ano no coração da selva amazônica. São 12 mil jogadores, divididos em 900 times. As equipes são formadas em bairros, empresas e até igrejas. A competição dura um mês e se chama Peladão. A princípio, parece um campeonato de “várzea” normal – ainda que enorme. Mas aqui, cada um dos times participantes traz, além dos 12 jogadores e de um juiz próprio (!), uma “rainha”.
Não são mulheres como as típicas candidatas de concursos de beleza que vemos na televisão. Modelos profissionais, aliás, nem são aceitas. Cada rainha deve representar a essência do time. Um time de gordinhos, por exemplo, orgulha-se de ter trazido a rainha mais fora de forma da competição. O time dos gays apresentou um travesti. Outro, de mineiros, contratou uma stripper local. Já a equipe evangélica não precisou trazer rainha, uma vez que tal religião proíbe as mulheres de depilar as partes íntimas, e pior ainda seria exibi-las peludas num biquíni minúsculo.
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Correr 90 minutos descalço é coisa para jogador macho! |
TUDO PELA PAZ
“As rainhas são uma forma de aplacar a violência”, diz Arnaldo dos Santos, o eufórico locutor de futebol de cabelos grisalhos que organiza o Peladão há mais de uma década. Explica-se: se um time for eliminado, mas sua rainha passar para a próxima fase do torneio de beleza, a equipe volta para a competição. “Assim, quando os caras perdem, ficam menos nervosos, porque sabem que ainda têm uma chance caso a rainha deles se saia bem”.
“Há alguns anos, apareceu uma rainha grávida, com um barrigão. Não temos discriminação, a rainha é eleita pelo clube. Pode ser bonita, feia, gorda – é o clube que escolhe”, conta Arnaldo. “Elas podem até desfilar peladas, se quiserem.
As moças são uma forma de evitar que os jogos terminem em pancadaria
Não há regras mesmo. Gostamos é da diversidade, pode ser na forma de short, biquíni, fio dental...”
De fato, Manaus não é um lugar cheio de regras e aporrinhações. Mais perto de Miami que do Rio, a cidade tem festas que duram até o amanhecer, com o Sol nascendo sobre o rio Amazonas. A cerveja chega a custar R$ 0,70. O número de mulheres é bem maior que o de homens – por milhares de cabeças – e alguns moradores locais descrevem São Paulo e Rio como lugares caretas.
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Em campo, jogo duro para superar centenas de times concorrentes |
Na minha frente, 700 mulheres lindas:
A biodiversidade em seu auge!
No começo, parecia um exagero – mas então eu cheguei ao hotel. Na cama havia uma bíblia bilíngue (em português e inglês), uma pequena garrafa de uísque escocês e um pacote de camisinhas. Um drinque, uma trepada e a posterior confissão, tudo convenientemente agrupado sobre o mesmo colchão. Duas horas após minha chegada à cidade, tenho uma boa caipirinha numa das mãos. Bem- feita, com cachaça e pouco açúcar. Minha outra mão descansa sobre a barriga esguia de Jaqueline.
A amigável garota local, com sua pele cor de cobre, tem uma tatuagem que começa abaixo do umbigo e segue para o sul. Nossas primeiras conversas giram em torno da tradição ocidental da fidelidade conjugal – que conceito mais idiota, diz ela. Jaqueline pousa a mão em minha coxa, dá um gole vigoroso em sua Coca Diet e passa os dedos sobre meu – mas não, tenho outras obrigações!
Abandono a mais obstinada profissional amazonense para atravessar a praça em direção a um posto de gasolina, onde o serviço inclui quatro tipos de combustível (álcool, gasolina, diesel e gás natural), além de pacotes que custam R$ 10 e trazem um grama de cocaína surpreendentemente fina. Digo que é uma surpresa porque qualquer um que já foi bobo o suficiente a ponto de comprar a droga nos trópicos sabe que ela acaba virando quase uma cola, e não os finíssimos grãos de areia branca que esta aqui faz lembrar.
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O “futebol arte” brasileiro nunca decepciona a plateia |
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