Ícone Joaquin Phoenix
Ele decretou a morte de sua bem-sucedida carreira de ator, deixou crescer uma barba esquisita, se apelidou de JP e virou rapper - mas garante que isso tudo não é uma grande piada
Por que a barba?
Nenhuma razão especial. Não foi algo pensado. Talvez, incoscientemente, tenha sido a necessidade de me distanciar da imagem que as pessoas têm de mim. Espero que elas comecem a me ver como JP e ouçam minhas músicas.
Por que deixar o cinema?
É de partir o coração! Enfim, todo mundo quer saber se isso é apenas uma piada. Não, isso é pra valer.
A decisão veio assim, de repente?
Parece isso para as pessoas, como se fosse algo vindo do além. Mas eu não vivo a maior parte do tempo na frente da mídia, sabe? E essa ideia vem me instigando há muito tempo.
Então você já tinha pensado em mudar?
Eu sempre flertei com a ideia de largar o cinema. Houve tempos em que eu pensei: ‘ok, já alcancei o suficiente’. Mas acho que, de alguma forma, nunca tive nada em que acreditasse o bastante para trocar pela minha carreira de ator.
O que você acha de dizerem que tudo é apenas uma grande piada e que você está blefando?
Nas entrevistas, é difícil não se ofender quando as pessoas sugerem que uma coisa muito importante para você, algo em que você está de fato colocando todos os esforços, é uma mentira idiota. É muito difícil não ficar fodido de raiva. Eu sei que você está fazendo o que você tem de fazer como jornalista, não levo para o lado pessoal. Mas é ofensivo.
Mas você entende que algumas pessoas podem ter problemas em aceitar isso?
Acho que mudar pode soar como algo pomposo e cretino, tipo ‘gente, olha só como eu sou interessante!’. Mas isso não só comigo, pode ser aplicado a qualquer um que estiver passando por uma transição como esta. Não tenho controle sobre isso
Representar Johnny Cash influenciou sua decisão em concentrar-se na música?
Depois de Johnny e June, eu aprendi a tocar guitarra e a ter um pouco de senso de performance. Acho que, sim, o filme abriu uma porta pra mim.
Você acha que os seus fãs irão gostar de você estar embarcando na carreira musical?
Acho que agora eu gostaria apenas de deixar a música falar por ela mesma. Eu poderia falar sobre isso o dia todo, mas acho que nunca nos entenderíamos. Eu mesmo não entendo isso tudo completamente. Apenas sempre segui o meu coração e o que eu senti era real. E é isso que eu estou fazendo agora.
“Uuma hora enche o saco ter de satisfazer a criatividade de outras pessoas em vez de a sua própria” |
Há algum tipo de perigo em declarar que está deixando o cinema? Digamos, se daqui a dez anos você quiser voltar, o que fará?
Não sei. Mas sei o quanto sou comprometido com as coisas. Não saio por aí fazendo merda. Só faço o que realmente quero fazer. E nunca desisto pensando ‘bem, talvez eu possa desistir’.
Hollywood, com todo seu jogo de interesses, foi uma decepção para você?
Não foi isso que aconteceu. Eu acho que filmes são maravilhosos, respeito muito os atores. Mas não estava mais interessado nisso. Costumava ler os roteiros e ter vontade de encarar, de vê-los virar realidade. Ultimamente, quando leio, tudo o que penso é em alguém pondo maquiagem na minha cara.
Você acha que fazer sucesso como rapper será muito diferente disso?
Não, mas eu teria muito mais controle. Eu posso fazer o que eu quero. Eu posso, enfim, gostar ou não de alguma coisa. Sabe, uma hora enche o saco ter de satisfazer a criatividade de outras pessoas em vez de satisfazer a sua própria.
Em que fazer música é diferente de atuar?
Bem, na maioria das vezes, eu estou sozinho no estúdio, não cercado por 60 pessoas dizendo bobagens. Quando entro lá, não sei ao certo para onde a coisa vai. Começo a programar uma batida e vou reagindo ao tempo da música... As coisas realmente passam a fluir. Quanto aos filmes, muito do que tem neles é lixo. Você vai, faz as cenas e então espera até que as juntem, para que pareçam reais.
Você está dizendo que atuar é uma mentira?
Claro que sim.
E fazer música é dizer a verdade?
Há certa teatralidade em fazer música também. Mas eu sinto que minha música é mais verdadeira para mim.
Você já sabe qual será o público para seu rap?
Não. Amigo, olha bem para minha cara, eu pareço alguém que procura público ou merdas do tipo? Odeio a palavra rap. É música. O disco não terá só rap.
Vai ter canções de amor?
Tem umas canções dançantes e músicas meio sensuais, coisas do tipo.
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Insatisfação hollywoodiana:
“Ultimamente, roteiros só me faziam imaginar alguém passando pó na minha cara” |
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