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Sumário  Edição 15
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Biro-Biro
Quase uma caricatura viva dos anos 80, o ex-jogador acha que hoje teria vaga na Seleção Brasileira fácil, fácil - mas admite que ficou devendo na carreira política

Você se considera um injustiçado por não ter jogado uma Copa do Mundo?
Eu nunca fui para uma Copa porque o Telê achava que eu era um jogador com estilo de peladeiro. Ele não gostava de caras que atuavam em várias posições, o que era o meu caso. Mas fui convocado diversas vezes para amistosos, cheguei a ficar entre os 25 pré-convocados para as Copas de 82 e 86. Fiz a minha parte e não guardo nenhuma mágoa do Telê.

Com o nível do futebol jogado hoje, você acha que seria convocado?
Porra, tranquilo, tranquilo... [risos] E como titular! Muitos treinadores hoje gostam de ter um atleta que saiba mar­car, mas também chegar na frente para fazer uns gols.

Você acha que a Lei Pelé é a responsável pelo êxodode atletas daqui para a Europa?
A Lei Pelé foi boa porque acabou com o passe, que prendia o jogador ao clube. Mas acho que ela precisa ser reformu­lada. Ela tem de estipular uma idade mínima para o atleta poder jogar fora do Brasil. Acho que 23 ou 24 anos é o ideal.

Você chegou a receber propostas para jogar na Europa. Por que não foi?
É verdade, eu tive propostas do Napoli e do Torino, mas o [Vicente] Matheus [então presidente do Corinthians, onde jogava Biro-Bi­ro] não queria me vender porque naquela época o Sócrates e o Casagrande estavam saindo do time também. E ainda existia o passe, para dificultar. Hoje é mais fácil sair dos times.

Mas você conseguiu fazer um pé-de-meia jogando apenas por aqui?
Olha, nós ganhávamos bem, sim, mas não o absurdo que um jogador de futebol ganha hoje em dia. Antes, você tinha de economizar durante um ano para poder comprar um apartamento. Hoje, o joga­dor consegue comprar uns três aparta­mentos em um mês.

As farras de jogadores doseu tempoeram mais discretas ou os atletas de hoje estão abusando mesmo?
Hoje eles têm mais facilidade para ir a boates, e alguns acabam abusando. Na minha época, jogador tinha de ir escon­dido. Além do mais, qualquer um hoje pode tirar fotos com celulares, filmar...

E o uso de drogas e álcool era tão grande quanto hoje?
Não. O álcool até tinha, existiam jogado­res que bebiam bastante. Agora, drogas, era algo muito difícil. Claro que um ou outro gostava de fumar maconha, mas era uma minoria.

“Os políticos abusam demais de lavagens, passagens aéreas...”

O Casagrande vem se recuperando de uma dependência química. Vocês, ex-companheiros dele, vêm acompanhando o caso?
A gente falava com ele até pouco antes da última internação. Aí mudaram o celular dele e ele não podia mais receber liga­ções. A última vez que falei com ele foi há um mês. Conversamos, demos força e com certeza ele vai superar isso.

Você foi vereador em 1988. Qual a sua impressão sobre a política aqui no Brasil?
Olha, para ser político, o cara tem de gostar muito mesmo. É difícil. Eu mesmo não me dediquei como deveria, ainda era jogador e tinha de pedir licença do cargo toda hora. Mas a experiência serviu para mudar a visão que eu tinha de que políti­cos eram todos ladrões.

Ainda quer se candidatar para algum cargo?
Não. Prefiro os bastidores. Estou aqui com o vereador [Antonio] Goulart [PMDB], fazendo um trabalho com a assessoria dele e está bom demais. Deixa a política com quem tem o dom. Meu jeito manso não combina muito [risos].

A corrupção aumentou ou os políticos estão mais vigiados?
A corrupção está ficando mais clara porque os maus políticos começaram a abu­sar demais, com essa coisa de lavagem de dinheiro, passagem aérea. A vigilância da imprensa está maior e o povo também está mais atento.

Você diria que o futebol ficou mais chato?
Hoje, os técnicos preferem jogador brucutu que corre o campo inteiro e marca forte. Não querem o atleta mais técnico, que tem habilidade. E isso faz que o futebol, principalmente o brasileiro, fique sem graça. Hoje, onde você encontra um jogador como o Sócrates, o Zico, o Pita? Robinho e Ronaldinho Gaúcho até são habilidosos, mas não são aqueles atletas que a gente estava acostumado a ver.

Qual foi o maior jogador de futebol com quem você atuou?
O Sócrates. Foi um dos jogadores mais inteligentes que o futebol brasileiro já teve em todos os tempos.

E, afinal de contas: Você é mesmo melhor que o Maradona?
O Biro-Biro é melhor, claro [risos]. Pelo menos aqui em São Paulo e no Brasil, o Biro-Biro joga mais. Mas lá fora, o homem é melhor, não tem jeito... [risos]

Cortado na última hora: “Não fui para Copa porque o Telê achava que eu era peladeiro”

Foto: Wel Calandria / Assistente: Tiago Baccarin / Realização: Lígia Prestes e Flávia Viana

 

 
 
 
 
   
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