Descaminho das Índias
Brendha Haddad saiu do acre para deixar o horário da novela ainda mais nobre
Por Pedro Carvalho Fotos Marcos Lopes
Novela das oito, mais do que qualquer balada, é o lugar perfeito para você encontrar uma gatinha nova. Não nos pergunte onde eles arranjam tantas, é simplesmente assim que funciona. Mas não é sempre que uma beldade dessas surge do distante território do Acre. (Sim, o Acre existe mesmo!) E talvez mais inusitado ainda seja que ela tenha vencido um Miss Brasil muito antes de chegar às telas. Tudo bem, foi um Miss Brasil categoria "fraldinha", aos 12 anos. Mas os jurados tiveram bom faro. Agora, aos 23, a acriana Brendha Haddad encanta o País com sua beleza no papel de Rani, em Caminho das Índias. Não é sua estreia na Globo - ela participou da minissérie Amazônia. Também já tinha experiência em ritmos exóticos - foi dançarina por nove anos. Mas aqui, pela primeira vez, ela é estrela de um ensaio sensual. (Pode agradecer depois.)
Então o Acre existe?
[risos] Poxa, claro que existe! E é um lugar lindo, morei 20 anos lá.
Como é lá?
Rio Branco é um lugar bem tranquilo, bonito, cheio de praças. Lembro que muitas vezes eu ia a uma praça com minha família tomar tacacá. É um caldo com folhas de jambu e tucupi que deixa a boca meio dormente, e dizem que é afrodisíaco.
Qual foi a coisa mais louca que você viu no Rio quando chegou?
Ah, sempre que podia eu viajava, então estava acostumada a cidades maiores também. Acho que o choque mesmo foi morar longe de casa, ter de me acostumar a cozinhar, pagar contas no banco.
O que você faz para se divertir no Rio?
Gosto de sair com as amigas. Não gosto muito de boate, prefiro barzinhos onde a gente possa sentar e conversar. Também adoro teatro e cinema.
A novela das oito transformou você em uma pessoa popular no Rio?
Ah, sim. Às vezes eu vou ao supermercado do jeito que eu fico em casa, de shortinhos e sandália, e as pessoas começam a falar, apontar, comentar... Algumas vêm, conversam, pegam no meu cabelo para ver se é de verdade. É meio estranho, de repente as pessoas começam a olhar e conversar com você com a maior intimidade. [risos]
Como foi fazer aquela cena do estupro na minissérie Amazônia?
Foi uma cena muito forte. Antes de gravar a gente conversou - eu, o diretor e o Pedrinho Furtado, que era o "estuprador". Ele estava supernervoso também, com medo de me machucar. Eu disse pra ele que podia fazer sem receio, pra gente entrar na cena mesmo. Quando terminou, fiquei cerca de cinco minutos no chão, chorando, enquanto o pessoal arrumava a luz, o cenário... Fiquei sentindo a dor daquele momento de verdade. Depois passei a participar de palestras e ajudar a causa da violência contra a mulher.
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