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Sumário  Edição 15
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Reportagens
 
Selva de buiquíni
Um relato do repórter que foi a Manaus conhecer o maior e mais exótico torneio de futebol do mundo: 900 times, cada um com uma rainha mais gostosa!
Texto Jonathan Franklin Fotos Morten Andersen

Uma beldade local se prepara para entrar em campo e bater um bolão

ABREM-SE AS CORTINAS!

Na cerimônia de abertura do Peladão, o maior torneio de futebol amador do planeta, a atual campeã do concurso de rainhas chega num helicóptero. Com postura meio esnobe, ela se parece mais um clichê hollywoodiano de gostosa latina do que uma nativa de Manaus, mas é o comitê de recepção que realmente anima a festa. À minha frente estão reunidas 700 lindas mulheres, idade média de 17 anos. A biodiversidade em seu auge.

Os amazonenses parecem confortáveis numa multidão. Não há brigas ou provocações movidas a álcool. Até o policial toma cerveja. “O Peladão é uma cidade, é uma festa, todo mundo se envolve”, diz Dissica Calderaro, uma executiva do jornal amazonense A Crítica, o veículo de mídia que inventou o torneio, há 33 anos. “Nosso País tem três amores: futebol, mulher e cerveja – e quando juntamos tudo numa coisa só, vira uma sensação!”

Muitos dos jogadores precisam correr descalços os 90 minutos da partida. Mas são bons. Chutam forte em gol, sem precisar dominar a bola primeiro. O estádio tem ramos da floresta subindo por suas paredes, ameaçando tomar de volta o terreno. Na pista ao redor do campo, uma adolescente ignora o jogo e aprende a dirigir uma motocicleta. Ela dá voltas e voltas no chão de concreto – se cometesse um erro de julgamento e acelerasse demais numa dessas curvas, provavelmente iria acabar dentro do campo. “O primeiro dia foi o pior”, suspiraria depois Arnaldo, o organizador. “Começou que um jogador morreu num ponto de ônibus, depois um treinador também morreu e dois goleiros do mesmo time quebraram o braço! Nessa hora eu me perguntei: ‘Que diabos eu estou fazendo aqui?’. Mas depois me dei conta que o Peladão é essa loucura, mesmo”.

Ninguém parece se preocupar muito com a possibilidade de morrer. De fato, num ano não muito distante, um carro desgovernado invadiu o campo e atropelou um atleta – e a cena acabou com o motorista reclamando dos amassados na lataria, e o jogador sacudindo a poeira, apenas arranhado.

No primeiro dia, um jogador e treinador morreram

A regra é clara

Sem bagunça!

Como organizar um campeonato de futebol junto com um torneio de beleza

Você pode estar se perguntando como é possível misturar um campeonato que tem mais de 800 times e um torneio de beleza. Bem, funciona assim: os times inscritos no Peladão são divididos em quantos grupos de quatro forem necessários. Os dois melhores de cada grupo se classificam para a próxima fase, na qual serão divididos em grupos de seis. Desses grupos, por algum milagre da matemática, saem somente trinta times. Começa então a fase de mata-mata. Aqui, os 15 vencedores juntam-se com uma 16ª equipe, que sai do confronto entre o campeão do “Peladão do interior” e o time que teve a rainha vencedora. Enfim, com 16 times, faz-se as oitavas-de-final, depois as quartas, semi e os dois jogos da final – um disputado em campo de grama e outro na terra. Algumas dessas partidas decisivas já atraíram 22 mil torcedores ao estádio local (mais que a média de público do Brasileirão 2008).



As eleitas comemoram a vitória: grandes momentos do esporte!

A TORCIDA VIBRA! (OU NÃO...)

Os torcedores sentam-se em arquibancadas de concreto, assistindo casualmente ao jogo e gritando em lances mais emocionantes, mas também envolvidos com bebidas e lanches. É um grande piquenique. O calor dificulta a partida. Os jogadores suam tanto que um chuveiro foi instalado no campo, para que eles possam tomar uma rápida ducha com a bola rolando.

A torcida é quase totalmente formada por pessoas da região. Procuro por algum gringo e encontro Butch, professor de inglês de 32 anos que vive em Michigan e tem seu próprio conceito sobre o Brasil: “Onde eu moro, as pessoas são muito estressadas. Eu ganhei mais cabelos brancos em quatro anos no exército americano do que teria ganho em 20 anos na floresta. As pessoas dão mais risada aqui, elas saem mais de casa e fazem mais coisas. Não vivem pensando no relógio – e conseguem reservar tempo para curtir a vida. É algo que nunca tive em minha cidade.”

Jogadores suam tanto que uma ducha foi instalada no campo

Depois de uma semana de luxúria, parece que nada mais pode me surpreender, mas enquanto sigo para o aeroporto o motorista do táxi me explica que o sexo é usado com frequência em Manaus para escambo. “É bom, alivia o estresse de dirigir”. Ele faz uma pausa, incerto de que um repórter da cidade vai compreender o que tem a dizer. “Eu levo umas mulheres para o ponto de ônibus e elas me fazem sexo oral quando chegamos”. No aeroporto, penso que parece uma boa ideia voltar no próximo ano, também em agosto, o mês em que começa oficialmente o doido Peladão. Se bem que às vezes é em setembro.

O outro lado da exuberância da floresta tropical

 

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