Maxim entra num presídio feminino e fotografa a "hóspede" mais gata do lugar
Introdução André Jalonetsky Entrevista Lígia Prestes Fotos Louise Chin e Inácio Aronovich / LOST ART
Maria Lucia Porfirio tem 27 anos, mede 1m80 de altura, é mãe de uma menina de 9 anos e é acusada de homicídio. Por isso foi parar no Presídio Feminino do Butantan, em São Paulo. Conheci Malu quando fui convidado para integrar o júri do concurso de beleza do presídio. Ao vê-la desfilando de vestido longo não acreditei, ela parecia uma top e como tal deveria estar nas páginas da Maxim. Seis meses depois, neste ensaio feito dentro da cadeia, Malu trocou seu uniforme padrão (camiseta branca e calça verde) por roupas bem mais sensuais mostrando que beleza e feminilidade sobrevivem em qualquer ambiente. Bem-vindo ao mundo de Malu.
Você transa regularmente aqui?
Neste presídio [que é de regime semiaberto] temos as saidinhas, que acontecem em datas comemorativas como Natal, Páscoa, Dia das Mães, etc. Então nesse período a gente dá uma escapadinha...
E tem uma pessoa fixa te esperando lá fora?
Eu não estou mais nessa de compromisso. Quando saio do presídio, procuro conhecer novas pessoas e se rolar, rolou. Aliás, nem dá para ter um namoro sério estando presa.
Faz tempo que rolou sua última transa?
Olha, se eu contar que não faz mais que três meses você acredita?
Bom, então eu presumo que você toma muitas cantadas quando está na rua.
Ah, sim! Mas eu sou muito tímida e fico morrendo de vergonha. Quando estou na rua, me visto muito à vontade: saia de um palmo, miniblusa com decote. Lembro uma vez que eu estava no centro de Itaquera [bairro de São Paulo] com um salto enorme e de saia curta. Daí um cara começou a assoviar, mas eu não olhei de jeito nenhum. Então ele teve a cara de pau de ir atrás de mim, bater no meu ombro e dizer: "Tomara que você caia deste salto!"
O que te chama atenção em um homem?
Primeiramente o olhar. Um homem consegue me conquistar facilmente se me cativar no olhar. Uma boa conversa também me agrada, apesar de que quando um homem quer conquistar uma mulher, sempre tem um bom papo...
Vocês, presas, não têm vontade de dar uns pegas nos guardas homens daqui?
Nunca. E mesmo porque vai contra a nossa filosofia aqui de dentro. Onde já se viu uma presa namorar um guarda? A pessoa pode ferrar sua vida aqui, te mandar para o castigo e até tem poder de te regredir para o regime fechado. Sei lá, vai que um dia você não quer mais continuar o caso e ele começa a te perseguir? Acabo perdendo tudo por causa de uma transa, que corre o risco de nem ser para sempre.
Você consegue ser sensual neste lugar?
Na verdade, não acho que consigo ser muito sensual. Mas as meninas agora só me chamam de miss! Às vezes não estou muito afim de me arrumar e coloco uma meia até o joelho e as meninas dizem: "Malu, você é uma modelo, não pode usar esse tipo de roupa". Daí eu solto minha frase: "Miss usou, moda lançou". [risos]
E como manter a feminilidade?
Só contando com a família para trazer batom, lápis e sombra. Mas eu me produzo mais para sair. Na próxima quinta [ela ia ter a 'saidinha' da Sexta-feira Santa] é dia da Miss Malu se produzir toda para ver a família, curtir os amigos e, por que não, achar um homem.
O que suas colegas do presídio acharam do ensaio?
Tem sempre as que torcem muito para que isso não seja apenas um sonho e as que acham que eu sair na Maxim é um exagero. Mas no dia das fotos, muitas meninas se penduraram na janela para me incentivar, ficaram gritando meu nome.
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"Minha família me traz batom, lápis e sombra" |
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