Filmes A volta do que não foi
Chega ao cinema a segunda parte do filme-biografia do guerrilheiro Che Guevara, feito por um cineasta que se preocupou mais em mostrar o mito (aliás, inesgotável...) do que o ser humano
Se existe uma personalidade que despertou tanto amor quanto ódio no século 20, ela se chama Ernesto Guevara de La Serna, também conhecido nos baixos círculos como Che Guevara. O guerrilheiro, que juntamente com Fidel Castro liderou a Revolução Cubana, é considerado uma entidade quase divina por muitos, mas nada mais que um assassino autoritário por outros. A nova tentativa de desvendar o mito fica por conta do norteamericano Steven Soderbergh, que lançou uma cinebiografia de Che, dividida em duas partes.
A primeira chegou ao cinema no final de março, chama-se Che e mostra como Guevara conheceu e se uniu ao grupo guerrilheiro de Castro, em 1956, como médico da tropa. A segunda, que leva o nome de Che - A Guerrilha, tem lançamento previsto para este mês. Ambas trazem o talentoso Benicio Del Toro no papel do guerrilheiro. Entre uma e outra, Maxim entra de cabeça na guerrilha e fuzila os melhores fatos sobre o assunto (nessas páginas e nas seguintes).
Como é o filme?
A segunda parte da cinebiografia de Guevara, que você vai ver este mês, retrata desde o lado "estadista" do revolucionário, com destaque para seu famoso discurso na sede da ONU, em Nova York, em 1964, até sua vontade de espalhar a revolução socialista pelo mundo. No fim, mostra sua captura e execução nas selvas da Bolívia, pelo exército local, pronto, contamos!
Mas esse Che foi real?
Bem, a principal crítica que pode se fazer aos dois filmes de Soderbergh é que ele se preocupou em mostrar um Che Guevara "limpo", um humanista generoso, altruísta, com frases certas no momento certo, que não comete erros. O diretor passa apenas superficialmente na figura humana de Guevara, que ajudou a instaurar em Cuba uma ditadura que se revelaria tão ruim quanto a que derrubou, que foi responsável por milhares de fuzilamentos sumários, que acabou por comandar políticas econômicas que quase afundaram o país. São filmes legais, mas um pouco mais de honestidade não teria feito mal a eles. No fim, você fica conhecendo melhor o mito (que já estava cansado de conhecer), não o homem
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"Melhor eu parar com essas coisas, ou não vai sobrar um capitalista vivo para comprar minha camiseta"
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O A-Z DO VELHO CHE
Entre um filme e outro, alguns personagens e fatos que cercam a trajetória do guerrilheiro cubano
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