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Maxim
Sumário  Edição 15
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Ócio
 
Livros
Um brinde ao sexo!
- Três clássicos que revolucionaram o conceito de prazer fazem aniversário juntos; Maxim comemora tudo com uma festa só

Se os pais reclamam que há muita "sem-vergonhice" na TV hoje em dia, avise a eles que o erotismo nos meios de comunicação já existe há séculos, literalmente falando. Neste ano, fazem aniversário três clássicos da literatura erótica, que completam 60, 260 e 660 anos. Maxim celebra esta coincidência cabalística com um resumão desses importantes precursores do Cine Privê, do Telecine Erótica e do lendário Sala Especial. Deleite-se.

FANNY HILL, MEMÓRIAS DE UMA MULHER DE PRAZER
John Cleland (1749)

O que é
No romance, Cleland (1709-1789) conta ao leitor as peripécias de uma garota bonita e (a princípio) ingênua, de origem humilde, na Inglaterra do século 18. Órfã e sozinha, ela acaba por abrigar-se (adivinhe...) num bordel de classe alta em Londres e se torna prostituta, até re-encontrar seu amor da juventude. Uma Hilda Furacão britânica.

O que ainda tem a nos dizer
Obra típica do Iluminismo da época, o livro carrega nas tintas ao narrar as aventuras sexuais de Fanny, que faz quase de tudo na cama, mas passa uma mensagem conservadora: o verdadeiro amor triunfa, com a cortesã se "purificando" e convertendo-se, ao final, em esposa feliz e mãe de família tipo propaganda de margarina.

Frase genial
"Os beijos muito ardentes e fervorosos, para que a natureza pudesse suportar tamanha fúria durante muito tempo; ambos me pareciam fora de si, seus olhos lançavam faíscas de fogo."

O SEGUNDO SEXO
Simone de Beauvoir (1949)

O que é
Considerado o livro feminista mais influente do século 20, a obra da autora francesa discute os vários aspectos da dominação da mulher pelo homem. O corpo feminino, por exemplo, depois de milênios de uma educação repressora, era visto pelas mulheres como lugar de vergonha, medo e dor, nunca de prazer como elas finalmente descobririam, para o bem geral da nação.

O que ainda tem a nos dizer
Às vésperas dos anos 1950, a consciência feminina sobre seu real papel na sociedade era quase nula. Só por isso já dá para imaginar o escândalo com que o livro foi recebido. Felizmente, o mundo hoje é outro, mas o texto continua impressionante, agora como precioso documento do quanto as mulheres avançaram em apenas 60 anos.

Frase genial
"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher."

DECAMERÃO
Giovanni Boccaccio (1349)

O que é
Reunião de cem relatos sensuais narrados por sete moças e três rapazes durante dez dias. Para fugir da peste que assola a cidade de Florença, eles vão para uma casa de campo na Toscana. Nessa espécie de Big Brother sem câmeras, com tantas possibilidades de diversão, eles resolvem passar o tempo... contando histórias picantes. Quase uma Hustler do século 14.

O que ainda tem a nos dizer
As novelas do italiano Boccaccio (1313- 1375) refletem a imagem da mulher na Idade Média: uma sedutora insaciável, cujo fogo nunca se apagava. Por isso aparecem tantos maridos que, embora traídos, não se surpreendem com isso. Repare também nos vários monges e freiras que só pensam naquilo, e entenda por que a Inquisição fez questão de manter o livro em sua lista de proibições.

Frase genial
"Com imenso prazer de Salabaetto, a quem parecia que a mulher morria de ansiedade pelo seu amor, ficou uma hora naquela situação, desfrutando os prazeres mais delicados do mundo."

 

 
 
 
 
   
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