Ícone Dave Grohl
O cara mais gente fina do rock, ex-Nirvana e atual Foo Fighters, fala sobre tocar bêbado, criar filhos, revela seu lado preguiçoso e especula sobre suas chances de ir para o inferno
Você e o Foo Fighters têm algum ritual pré-show?
Algumas bandas pedem a Deus que tenham o melhor show da vida delas. Outras fazem uma rodinha, se abraçam e gritam “vamo aê”. A gente fica ouvindo o Off The Wall do Michael Jackson e fazendo coquetéis-bomba de Jägermeister, que era o combustível do David Lee Roth [o frenético ex-Van Halen].
Alguma vez você fez um show sóbrio?
Sim, mas não nos últimos 15 anos. Quando toca sóbrio, você fica cheio de cuidado com tudo o que está rolando, todo preocupado. Por isso, os shows de bêbados são bem mais legais – você está pouco se fodendo! São esses que geralmente acabam em cenas de sangue-e-nenhuma-roupa no palco.
Rolou isso na sua última turnê?
Eu arrebentei minha mão com o microfone e fiquei com um puta inchaço, todo em carne viva. Eu parecia um desses caras que tretam nos vídeos de Bumfight [que mostra moradores de rua brigando em troca de álcool ou grana]. Foi escroto.
Você está nessas de vídeos de Bumfights?
Na real eu fiz uma festa na minha casa e alguém levou. E eu fiquei muito puto, porque: 1) alguém ligou a TV em uma festa minha e 2) colocaram uma coisa absurdamente ultrajante dessas...
Então, o que você vê na TV?
Estou apaixonado pelo canal Bravo. Fico passando mal com aqueles programas de metrossexuais: Top Chef, Project Runaway... Também dou umas olhadinhas no American Next Top Model, gosto de ver aquelas meninas todas se exibindo.
Você tem uma filhinha. vai ser o pai gente fina que compra cerveja e fuma maconha com ela?
Não. Não vou ser esses pais roqueiros que têm papelotes de cocaína pela casa, só esperando as crianças irem lá mexer neles.
Você tem algum conselho sobre criação de filhos para dar para a Britney?
A fama fode com a sua cabeça, e se você não tem uma base sólida isso arrasa com você. Quando o Nirvana [onde Grohl tocava bateria] ficou famoso eu tinha só 21 anos, mas tinha uma boa base. Quando a coisa ficava feia, eu voltava para a Virgínia e passava um tempo com as pessoas que mais me amavam – e isso me impedia de ser tragado por essa merda toda. Essa galera nova que está vivendo a fama agora, ganhando grana, sendo perseguida por paparazzi, precisa tirar a bunda das boates e ir fazer churrasco com a família uma vez por semana.
Às vezes você ouve os discos do Nirvana?
Putz, não. Eu ouço as músicas nas rádios de tempos em tempos, mas é um sacrifício, porque eu imediatamente lembro de como foi o dia da gravação – da comida à nevasca que caiu. É como abrir uma caixa de fotos antigas, e eu não curto fazer isso com muita frequência.
Depois de tudo isso, como você conseguiu manter o título de cara mais bacana do rock?
Não sei. Se as pessoas prestarem atenção nisso e acharem que é mesmo verdade, elas devem ter algum problema. Eu não sou grande coisa. Eu poderia ser o cara que vai arrumar a porra da sua máquina de lavar.
Mas a sua banda acha isso, pelo menos?
Para tocar nesta banda, você tem que ser casca-grossa. A gente enche o saco um do outro 24 horas por dia, sete vezes por semana. Se alguém fizer uma cagada no palco a gente só vai falar naquilo até a pessoa chorar. Eu fui apavorado toda vez que fiz alguma coisa ridícula ao vivo.
Você esquece as letras das próprias músicas?
Em quase todo show. Mas eu nem acho que a platéia percebe. Eles tão tipo “nooossa, que lasers bem loucos”.
Vvocê vai ao Iraque tocar para tropas americanas?
Por enquanto não. Eu gostaria de ter pique para ir ao máximo de lugares possíveis, mas depois de um tempo nessas, cara, você quer mais é ir até a Blockbuster e tirar uma soneca no sofá.
As pessoas conseguem notar quando você está muito louco?
Quando as sequências de músicas começam a ficar estranhas – quando eu estou tocando umas merdas de músicas que eu fiz 12 anos atrás só para dar uma zoada –, aí elas conseguem notar.
Como você gostaria de morrer?
Deixa eu ver...Afogado? Parece tranquilo, mas respirar água? Ugh. Um acidente de avião? Não, eu não ia querer ser carbonizado por todo aquele combustível. Meu ideal seria morrer esmagado por uma placa maciça, cheia de lâminas saindo dela. Ia fazer muita sujeira, mas teria pouca dor.
Você vai para o céu ou para o inferno?
Acho que já tomei muito ácido e ouvi muito death metal para sentar numa nuvem ao lado de Deus com uns anjos voando...
Você teve muitas bad trips de ácido?
Uma vez eu tomei uns dois ácidos num barco, indo da Inglaterra para a Bélgica, e fiquei correndo em círculos durante três horas, alucinando que dinossauros estavam mordendo os joelhos de todo mundo. Foi foda. Não sosseguei por 12 horas.
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O baterista que virou band leader: “Esqueço as letras em todo show” |
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