Jornalismo etílico Espetando "Speto"
Quem é o cara que grafitava ruas de São Paulo e agora pinta campanhas de multinacionais e hotéis na Dinamarca?
por Rui Maciel
Os grafiteiros mais puristas encheram seu saco quando você começou a trabalhar para as grandes empresas?
Pois é, chato existe em qualquer lugar. No começo o grafite tinha um caráter rebelde, mas envelhecer com essa rebeldia ficou meio bobo. Na arte, você tem de ser corajoso, ter personalidade, até quando isso significa fazer um trabalho para grandes corporações.
As empresas interferem muito no seu trabalho de criação?
Tudo é uma questão de conquista. Uns anos atrás, eu precisava trabalhar para publicidade para ganhar alguma grana. Mas, de um tempo para cá, o grafite tomou proporções gigantescas e, com o tempo, fui ganhando autonomia. Hoje, eles até pedem para eu fazer uma coisa mais autoral.
Quanto uma empresa como a Volkswagen paga para um grafiteiro?
Um valor equivalente a um carro da marca.
E a OI, o equivalente a um celular?
[risos] Não, mais ou menos a mesma coisa.
Como foi o trabalho onde você grafitou um hotel na Dinamarca?
Eu cheguei lá sem sequer falar nem inglês, e só tinha gringo por todos os lados. Aprendi a jato e grafitamos diversas suítes do hotel, desconstruímos o lugar. Foi bem legal. Tinha umas dinamarquesas por perto? É... Posso dizer que eu tive minha dinamarquesa [risos]. E elas não são só lindas, são muito inteligentes.
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