Jornalismo Etílico Vanguart
Maxim enche o caneco com uma das bandas mais legais do novo rock brasileiro - e quer saber que história é essa de carona para travesti!
Por Rui Maciel
Na boa, Flanders, explique a frase: "Só acredito no semáforo".
Flanders (vocal): O que você não entendeu?
Nada.
Flanders: É uma música que fala sobre ceticismo, sobre o fato de você não ter muito no que acreditar, além de verdades absolutas, de coisas que você pode ver e tocar, como um semáforo ou um pão francês.
Legal! Vocês tocaram Raul Seixas no especial da Globo. Quando um hippie solta um "Toca Raul" no show, vocês tocam também?
David (guitarrista): No começo a gente tocava, agora nem tanto.
Reginaldo (baixista): Depende da ocasião, a gente tem de ter a sensibilidade de analisar o momento. Mas é uma coisa um pouco chata. A gente faz questão de não ensaiar, porque aí a música fica feia e eles não pedem de novo.
Contem sobre o sufoco que passaram ao abrir um show dos Racionais MC ?
Reginaldo: Foi no aniversário da cidade [SP] e tocou Vanessa Camargo, Montage, então veio a gente e depois os Racionais.
E clético, não?
Flanders: Demais. Mas tudo ia bem, até que na penúltima música eu resolvo cantar uma faixa do nosso disco em inglês [The Last Time I Saw You], num solo, com voz, violão e gaita.
Eis que de repente uma nuvem de bonés brancos começa a se aproximar do palco, uns 40, 50.
E no final da música, eu ainda invento de sussurrar a letra. Resultado: comecei a ouvir aquela vaia sonora. A coisa ficou tão feia que chegaram a ameaçar a gente de morte. Tivemos de fugir pra van abaixados.
Reginaldo: Mas, vale citar que nós somos fãs dos Racionais e... [toca o celular de alguém]
Reginaldo: Flanders, desliga essa porra!
Há alguma outra história engraçada que aconteceu durante as turnês?
Douglas (baterista): Pode ser a do traveco?
Lazzar (tecladista): A do traveco é boa!
Flanders: Uma vez a gente estava voltando de um show no interior e o motorista parou num posto; nós aproveitamos pra descer e mijar. Quando voltei, vi o Douglas conversando com alguém e dizendo 'não, não rola'. Era um traveco que estava dormindo no ponto de ônibus e queria uma carona'. Aí o cidadão chega e diz: 'Mas eu deixo vocês pegarem nos meus peitos!', e mostra os dois. A gente entrou apressado na van e saiu fora. Cinco minutos depois, alguém pergunta: 'Cadê o David?'.
David (guitarrista): Pior que eu nem vi o traveco. Antes tivesse visto pelo menos os peitinhos! Cara, eu fiquei lá no posto, abandonado e com frio.
Lazzar: E o celular dele na van.
Vocês fazem sucesso, principalmente na cena indie. Já dá pra pegar umas gatas sem muito esforço?
Flanders: A gente está casado, mas dá.
Reginaldo: Peraí que eu vou ao banheiro.
David: Como eu sou canadense, a mulherada já caía matando antes, na escola. Logo, fiquei meio esnobe. [risos]
E a grana... Já dá pra pagar uma gelada aos amigos?
Flanders: Dá para pagar só pra nós mesmos, o que já é uma evolução.
Lazzar: Na verdade, um assume a conta, mas na próxima, ele fica isento.
Flanders: Por exemplo, o Reginaldo tá me devendo R$ 60, mas beleza.
Lazzar: E R$ 10 pra mim.
Reginaldo: Devo, não pago, nego enquanto puder.
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"O número de pessoas que descobre sua banda pelo download ilegal é muito maior do que o de pessoas que deixam de comprar seu disco por causa dele" [Flanders] |
Download ilegal de música acaba com a banda ou ajuda?
Douglas: Ajuda!
Flanders: O número de pessoas que descobre sua banda pelo download é muito maior do que o de pessoas que deixam de comprar seu disco por causa dele.
Reginaldo: O download só fode aquelas bandas que têm números exorbitantes de CDs vendidos.
Vocês tocaram com as gostosas do Plasticines [no festival Orloff Five]. Deu para manter algum contato?
Flanders: Deu nada. Foi 'oi e tchau'. Mas o Bruno [Mantovão, empresário da banda] conseguiu roubar uma garrafa de uísque do camarim delas e levou pra gente. |